Essa reflexão fez parte do estudo da obra: Grande Sertão Veredas de João Guimarães Rosa.
Olho para dentro e quando me vi em momentos de extrema agonia e desespero o pensamento estava lá para gerar ainda mais cáos e dor...as perguntas eram:
- por que essa dor está aqui o que ela quer me ensinar?
- será que essa dor terá fim?
- o que fiz para merecê-la?
- se ela aqui está eu a mereço!
- o que faço com ela?
- dormir o máximo que eu pudesse - fugir...
- trabalhar compulsivamente para não pensar...
- procurar os amigos que já se desgastavam com o peso da minha dor...
- buscar psicoterapia...
- buscar trabalho de autoconhecimento
- buscar terapias alternativas: ioga, acupuntura, tarô, energizãção na pirâmide, consultas espíritas, umbandistas, etc...
- retornar à igreja e frequentar os cultos religiosos...
- ler...e aí existe uma peculiaridade...as leiturar que me foram fiéis companheiras nestes dias sombrios que duravam às vezes seis, oito...meses, foram: A Insustentável Leveza do Ser de Milan Kundera, O segundo Círculo do Poder e todos os outros volumes de Carlos Castañeda, O Último Zinja (a história de Gengis Kan contada por sua mulher), Encontros com Homens Notáveis de G.I. Gurdjieff, Sidarta de Hermam Hesse, Os irmãos Karamázov de Dostoievski, a biografia de Maiakovski o grande poeta da revolução Russa, Longe é um lugar que não existe, Fernão Capelo Gaiovota (não lembro o nome do autor), Terra dos Homens de Antoine de Sant'Exupere, o Manual do Herói de Sonia Hirsh, Alguns contos - "O Natal da Barca" de Lygia Fagundes Telles, "O Amor" de Clarice Lispector, "A Moça Tecelã" de Marina Colasanti, Escuta Zé ninguém de Wilheim Reich, Crime e Castigo de Dostoievski... Grande Sertão: Veredas de João Guimarães Rosa, só para citar alguns...
- De certa forma estes livros tratam da aventura humana errante sobre a terra sem fim, fala de humanidades, de personagens que reconheci e identifiquei em mim e nem sempre eram os mocinhos, os heróis, e acho que está aí a grande diferença de quem busca a verdade...não quer mais o engodo, a fachada, a vitrine, aprofunda tanto em si que "ouve o próprio sangue percorrendo as veias" como dizia Hermam Hesse em Demiam.
- A idade avança e a dor não desiste...aparece com outras facetas, outros nomes, variações "novas de doenças" - todas disfarçam a mesma cara da morte...e recorrer ao remédios para mim foi o último recurso depois de ficar quase 3 meses sem dormir....essa era só a ponta do iceberg que nem toda psicanálise a que me submeti até hoje deu conta de explicar...
- Quanto custa essa dor?
- Quanto quero pagar pelo alívio dela?
- Alívio é a palavra, pois Freud já havia sacado que a causa está enraizada em lugares que não alcançamos com facilidade, ao contrário o acesso ao inconsciente é doído e quando conseguimos vislumbrar um pouco de luz da escuridão avassaladora...não sabemos muito bem o que fazer...desconfio que aí começa o impasse, o início da grande batalha humana para resgatar a essência e unificar um pouquinho os eus no EU.
- Alívio é a palavra, pois a medicina ocidental vende a cura em pílulas da "felicidade", vende paleativo, mentira, máscaras de enganar a morte!
- O perigo não é buscar o alívio, é acreditar na "cura" e parar de buscar, o PARAR aqui deve ser para se olhar, para enfrentar-se, para prescrutrar o demônio travestido naquele medo, naquela agonia, naquela encruzilhada.
De toda forma, como profissional da psicologia...desconfio das biografias impecáveis, aquelas que Fernando Pessoa já denunciou em seu Poema em Linha Reta: "Nunca conheci ninguém que tivesse levado porrada...todos os que conheço são príncipes, ou herdeiros de principados"....e vai por aí...
Eu já conheci em mim muita gente que leva porrada o tempo tempo e isso eu acho importante revelar, pois é do humano...
No grande exemplo do Cristo, nós só o reconhecemos, pois "ELE se fez carne e habitou entre nós", foi igual a nós, sentiu medo, solidão, desespero, desamparo, por isso faz parte do grande arquétipo do SALVADOR em nosso inconsciente, e quando a dor castiga - lembramos de recorrer ao grande Mestre que dizia: "Vinde a mim os que sofrem e EU os reconfortarei"!
Por enquanto tá de bom tamanho! E você conseguever o caminho que faz a sua dor?
Vania Longo
11 de dezembro de 2010
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