Fui acometida pelo silêncio...
Um silêncio que cala
A vontade de desperdício
De palavras em vão...
Um silêncio que fala
Com sua voz de silenciosa profusão.
Um silêncio justo
Que se contrapõe à razão
Um silêncio intenso
Que acalenta o coração
Um silêncio terno
Que espalha oração
Um silêncio eterno
Que embala a agitação
Um silêncio quieto,
Sábio, certeiro.
Um silêncio que anuncia
Que não é passageiro.
Um silêncio que desarranja
A ordem cartesiana.
Um silêncio que arranja
A vontade terçã e
Fala por todas as manhãs
Alaranjadas no horizonte
Da existência do hoje
Somado ao ontem
Que se proteja no amanhã!
Nada de precipitação!
O silêncio ensina a espera...
Acalenta a demora em cada coração.
O silêncio tece uma
Teia brejeira de uma saudade matadeira...
De quem aguarda mais uma estação.
A estação do vir-a-ser
A estação do broto
A estação do moço
Que olha firme o horizonte
Com a certeza do amanhecer!
O silêncio que contempla
O silêncio que espanta
Toda febre que levanta os
Demônios do MEDO
Um silêncio que guarda um segredo
Um silêncio que não arrenego
Um silêncio que basta
Um silêncio de língua
Casta que desafia a profanação
Um silêncio de diástole
Que encolhe e expande
Os músculos do coração
Um silêncio sem dor
Parente próximo do AMOR
Que se levanta em comunhão
Um silêncio relaxante
Que penetra meu semblante
Com ingênua contemplação.
Um silêncio alimento
Que oferece unguento
Que cura a ira de corrosão.
Um silêncio de espelho
Que convida a mirar
Sem medo a própria imagem
Sem (coerção) distorção
Um silêncio matreiro
Que brinca um tanto brejeiro
Com as artimanhas da paixão.
Um silêncio adocicado
Que convida a olhar de lado...
Plenitude sem fulminação.
Um silêncio doutor
Que fala a língua do amor
E cala toda confusão
Um silêncio que revela
Mesmo quando a raiva se eleva
Querendo levar a razão.
Um silêncio que perdoa
E sabe que não é à toa
Que se busca o perdão.
Um silêncio que tudo dá
Em doses generosas
Distribui...remédio
Para a alma alcançar galardão
Um silêncio que vale muito mais
Que todas as palavras,
Pois arrebata para a NÃO-AÇÃO
Um silêncio...
O SILÊNCIO!
Vania Longo - 31/12/2007
Minha paixão não tem endereço fixo meu caro poeta!
Minha paixão é errante... paixão apaixonante!!!
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